Reich?

Wilhelm Reich era médico e cientista natural.

Seu interesse desde criança pela natureza e por compreender os processos vitais o levou a pesquisar inúmeras áreas do conhecimento. Como militante revolucionário do partido comunista chegou a congregar massas incalculáveis (da ordem de milhares) de jovens operários na Alemanha que lutavam por liberdade e dignidade. Reich levou a eles o que na sua visão era a matéria prima das ditaduras: informação para a libertação dos padrões repressores da sexualidade impostos por uma cultura hipócrita e adoecida neuroticamente.

Em 1913, época de crescente propaganda nazista, Reich escreve

“O Combate Sexual da Juventude” para as organizações de propaganda da juventude comunista alemã.

Em 1929, numa reunião na casa de Freud e para os titulares da Sociedade Psicanalítica, à qual era associado, Reich faz uma palestra sobre a profilaxia das neuroses, considerando as seguintes questões:

A humanidade está psiquicamente enferma,

é possível continuarmos limitados a tratar somente homens e mulheres em uma prática particular?

Por que a sociedade produz neurose em massa?

Quais as fontes do flagelo neurótico?

Qual a natureza do papel que o movimento psicanalítico deve assumir na estrutura social?

Sua ousadia o levou a expulsão da Sociedade Psicanalítica de Viena e do Partido Comunista.

Foi a partir do caldeirão de seu trabalho político-sexual, que Reich desenvolveu a Análise do Caráter e a Vegetoterapia que o tornaram conhecido no Brasil na década de 70, principalmente, como criador da “terapia corporal”.Entretanto, o caráter político de sua obra ficou em segundo plano.

Mas Reich foi muito além em suas investigações, e sua teoria energética se consolida na descoberta do orgone, energia vital cósmica presente em todo ser vivo. Seu brilhantismo alcançou o Éter, no melhor e mais completo de todos os seus insights, quando examina sua técnica de pensar a partir de suas descobertas sobre o orgone e as leis que o regem, e na busca de juntar fatos aparentemente desconexos de sua pesquisa de cerca de 30 anos. Nasce a Orgonomia, ciência das leis funcionais da energia orgone cósmica.

Princípios fundamentais do pensamento funcional:

A vida é pulsação contínua, involuntária, constante contração e expansão.

A vida funciona e está em função de alguma coisa, diferentes funções compõem a totalidade da existência.

Vivemos imersos em um campo energético único, tudo está interconectado, o mundo está em mim.

A realidade é holográfica, tudo que ocorre no macrocosmo, ocorre também no microcosmo, há um isomorfismo do funcionamento energético.

 

 

Abaixo transcrevo um trecho de O ÉTER, DEUS E O DIABO, onde Reich expressa como entende as leis do funcionalismo orgonômico e as emoções básicas como instrumentos fundamentais  do pesquisador.

Capítulo III

A sensação de órgão como um instrumento de pesquisa natural.

“O prazer, o anseio, a ansiedade, a raiva, a tristeza são, aproximadamente nessa ordem, as emoções básicas da vida. Elas se afirmam na mobilidade completamente livre do organismo. Cada uma dessas emoções tem sua qualidade particular. Todas elas expressam uma condição de mobilidade do organismo, que possui um sentido (psicologicamente um “significado”) com relação ao self e o mundo de modo geral. Este sentido é racional. Corresponde a condições reais e processos relacionados à capacidade do protoplasma de mover-se. As emoções primárias da vida também tem uma função racional. A função do prazer conduz à descarga do excesso de energia na célula. A angústia está na base de cada reação de raiva. E, na esfera da vida, a raiva possui a função global de vencer ou eliminar situações de ameaça à vida. A tristeza expressa a perda de contato familiar e o anseio expressa o desejo de contato com outro sistema orgonótico. Teremos de mostrar posteriormente que é a função da emoção que constitui a meta de um impulso e não o contrario como postulam os metafísicos. Aqui, tivemos simplesmente a intenção de demonstrar que as emoções primárias são e devem ser racionais, se for para a vida funcionar de modo que tenha sentido. Sua existência é uma prova disso.”

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