Engole esse choro!

Frases como esta, muito comuns na educação das crianças, quando se tornam um padrão de comportamento, é sinal de que os pais já não precisam mais repeti-las com tanta freqüência: a criança, ela mesma, bloqueia o impulso de chorar. Como diz a expressão popular, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, ou seja,  dependendo do quantum de repressão emocional imputada à criança, os bloqueios energéticos (couraças) que ela precisará impor a seus próprios movimentos irão alterar o seu sistema neurovegetativo.

Podemos pensar no exemplo de uma criança que, ao ver a mãe apanhar cotidianamente de seu pai, acabou desenvolvendo uma gastrite. De que forma isso se deu? Poderíamos dizer, grosso modo, que para conter emoções de medo e raiva diariamente, o organismo dessa criança modificou sua respiração e operou alterações viscerais e vasculares, resultantes de freqüentes contrações abdominais, descarregando altas doses de adrenalina e outros hormônios no corpo; jogando quantidades de suco gástrico no estômago, independente do processo digestivo, que terminaram por agredir as paredes estomacais, como uma resultante do esforço para “engolir” as violências insuportáveis à que estava exposta.

Quando Reich criou a técnica de vegetoterapia caracteroanalítica, visava alcançar as correntes energéticas bloqueadas no corpo pela repressão sistemática do comportamento.  Para o autor da fórmula do orgasmo, o tratamento pela técnica psicanalítica da associação livre e da interpretação do inconsciente não era capaz de alcançar as resistências que haviam se tornado blindagens musculares, com alterações do tônus, da circulação sanguínea, da oxigenação, da pressão arterial, enfim, da pulsação celular comprometida pela neurose .

O organismo constantemente estressado vai se contraindo, primeiramente na musculatura que executa movimentos de expressão do corpo; posteriormente em camadas mais profundas relacionadas aos movimentos dos órgãos (coração, estômago, intestino, etc), gerando a cada novo estresse um bloqueio mais eficiente contra os estímulos externos e internos.  É dessa forma que podemos nos tornar adultos sem contato com nossas próprias emoções, frios, infelizes, incapazes de criar e de amar.

Na fisiologia do estresse, o hipotálamo – estrutura localizada no cérebro – seria o responsável por traduzir emoções em mudanças hormonais e ações de regulação da homeostase corporal. Envolvido com o prazer e a raiva, o hipotálamo estaria mais ligado à expressão do que à criação, ou seja, ele expressaria no corpo o que as emoções condicionam . “De maneira bastante geral, podemos agregar ao hipotálamo várias funções integrativas como regulação da ingestão de alimentos; regulação da ingestão de água, regulação da diurese, termorregulação, regulação do comportamento emocional, regulação do comportamento sexual e do ciclo-sono-vigilia.” (http://www.neurolab.ufsc.br/ensino/cpgenq/2004.1/2/Termoregulation.html)

A vegetoterapia compreende a necessidade de um trabalho que alie à expressão verbal dos sentimentos e emoções, movimentos corporais (actings) capazes de acessar emoções inexprimíveis verbalmente. Além disso, a técnica baseia-se na compreensão das couraças musculares dispostas em anéis ao longo do corpo, da cabeça em direção aos pés.  Para Reich,

um segmento de couraça estaria relacionado a órgãos e grupos musculares capazes de  induzir-se funcional e mutuamente a participar de um movimento expressivo. Por exemplo, na couraça do primeiro nível, ocular: a testa, as pálpebras, as glândulas, e todos os músculos relacionados formariam um anel de contratura transversal ao fluxo energético, impedindo a expressão de emoções.

Uma recente pesquisa desenvolvida na Ensp/Fiocruz evidenciou a associação entre estresse e hipertensão arterial, agregada ao sedentarismo, em mulheres trabalhadoras que não se sentem respeitadas e ouvidas em seus ambientes de trabalho.

( para saber mais clique :http://www.isaude.net/pt-BR/noticia/15752/saude-publica/classe-social-e-fator-que-interfere-na-prevalencia-de-hipertensao-em-mulheres)

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3 Respostas para “Engole esse choro!

  1. Elizabeth Ribeiro da Fonseca Pipersberg

    Esta foto é o símbolo da desolação, da solidão profunda das mágoas
    empoçadas. É um veja como me deixaram. Como esta criança pode
    sair desta dor. Não estão vendo…´
    É a foto do não acolhimento. Esta maozinha no coração diz que dói tanto,
    tanta injustiça. Ela não pode elaborar este viver sozinha… Parece que ela se encontra num deserto de tudo…

  2. Anne Louise

    Está muito bom!
    bisous et beijins.:)

  3. Bela Cristina

    Vive-se ainda em uma sociedade baseada na educação alimentar:ontem
    engolindo choro e amanhã engolindo sapo!
    Parabéns pelo seu artigo.

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